“Elas já lideram sem perceber”

Para Yêda Fernal, presidente da Federaminas Mulher, o Núcleo da Mulher Empreendedora da ACI Sete Lagoas só vem somar ao movimento que valoriza o potencial delas nos negócios

No próximo dia 24 de maio, às 19h, na sede da Associação Comercial e Industrial (ACI) de Sete Lagoas, as mulheres da cidade passam a contar com o apoio de uma instituição criada especificamente para fortalecer o empreendedorismo delas: o Núcleo da Mulher Empreendedora. E são elas as convidadas de honra do lançamento do Núcleo. Entre as presenças confirmadas estão a da presidente da Federaminas Mulher, Yêda Fernal, grande apoiadora da iniciativa, e de Alessandra Alkmim, presidente do Conselho da Mulher Empreendedora da ACMinas, que vai ministrar a palestra Empreendedorismo feminino: oportunidades, desafios e a nova economia, no encerramento da cerimônia.

O Núcleo da Mulher Empreendedora integra uma iniciativa maior, motivada pela Federaminas Mulher, pela qual a presença e participação da mulher nas associações comerciais dos municípios vem sendo estimulada. Para entender melhor a função desse conselho na valorização da mulher na liderança e gestão das empresas e, consequentemente, para o desenvolvimento socioeconômico da cidade, confira esta entrevista exclusiva com a principal incentivadora desse projeto.

O Núcleo da Mulher Empreendedora da ACI Sete Lagoas surge para integrar um movimento maior, estimulado pela Federaminas Mulher. Qual o cenário deste movimento hoje?

O movimento focado na valorização da mulher empreendedora em Minas, em números, ainda parece tímido, mas já representa uma importante mudança. Hoje temos cerca de 300 associações comerciais em municípios mineiros, das quais surgiram 26 câmaras voltadas especificamente ao empreendedorismo feminino. Já tiramos uma turma considerável da zona de conforto. Esses núcleos surgiram com apoio incondicional dos dirigentes homens dessas instituições. Esse apoio e interação entre os gêneros só tende a crescer, pois o século XXI passa pelo feminino e as instituições precisam oxigenar as ideias e agregar o “olhar 360⁰” da mulher.

Em Minas Gerais, 31% das mulheres são donas de pequenos e médios negócios e representam 44% da população economicamente ativa. No Estado, elas são 52% da população, 51,8% de eleitoras e lideram 39,8% dos lares sozinhas.

As mulheres que empreendem, seja em seus negócios próprios ou na gestão de empresas, têm consciência desse potencial?

As mulheres mostram, todos os dias, que têm capacidade e potencial para liderar e gerir. Porém, muitas vezes, elas executam atividades profissionais como líderes, sem se darem conta de que já fazem esse tipo de tarefa com grande competência, contudo sem uma nomeação oficial para o cargo de direção. Muitas já lideram e influenciam o rumo dos negócios em que atuam sem perceber. Precisamos desmistificar o verdadeiro papel da mulher nas organizações, pois sua presença e o bom desempenho no mercado, assim como sua contribuição, são cada vez mais latente.

Essas câmaras da mulher empreendedora visam exclusivamente as donas de empresas?

Não, esses conselhos visam empreendedoras que atuam no próprio negócio ou como profissionais em empresas em que estão empregadas. Podem ser empresárias, dentistas, médicas, cabelereiras, administradoras, executivas, costureiras, entre muitas outras atividades. A mulher empreendedora é aquela que faz a diferença na sua profissão, que agrega crescimento à organização ou setor em que atua, que inspira outras pessoas a empreender, ousar, inovar, investir e persistir.

Qual o papel desses Núcleos da Mulher Empreendedora?

Trazer a mulher para as discussões de negócios, contribuir para que essas empreendedoras enxerguem a importância do seu papel no desenvolvimento social, econômico e político das suas cidades. Esse é um movimento que tem que começar de dentro para fora, das cidades para os estados até ganhar o país. É um processo que evolui gradualmente, no qual exercemos e fortalecemos nosso potencial de influenciar ações de melhorias.

O Núcleo tem o objetivo também de contribuir para uma melhor qualificação dessa empreendedora, de forma a ampliar os impactos positivos que a mulher pode gerar dentro das empresas, dos segmentos econômicos e na cidade em que mora e trabalha. Resumindo, nosso foco é fortalecer essas mulheres com conhecimentos, práticas e experiências bem-sucedidas em gestão para ampliar sua capacidade de gerar transformação e desenvolvimento sustentáveis.

Esse movimento também ajuda a aumentar o poder de mobilização e a credibilidade dessas empreendedoras dentro da sociedade. A mulher tem habilidades para sensibilizar, articular ações, congregar pessoas, pois sabem como inspirar confiança e persistência na hora de empreender.

No Facebook você também confere o vídeo que Yêda Fernal fez com a equipe da Federaminas Mulher, convocando as empreendedoras a participarem do Núcleo da Mulher Empreendedora de Sete Lagoas:

Participe!

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