Pecado é não empreender

A fabricante de bolsas femininas Peccato, de Sete Lagoas, fornece para o Brasil inteiro e vai lançar uma nova marca própria para vendas exclusivas on line.

Empreender é uma questão de atitude. Que o diga a designer Andrea Campos. Em 1995, ela e o marido Marcelo Melo, recém-casados, decidiram se fixar no interior, em busca de melhor qualidade de vida, novos ares, novas oportunidades. Ela deixou o emprego na famosa marca Arezzo, onde trabalhou por 16 anos, e desembarcou em Sete Lagoas, cheia de esperanças. “Abri uma loja de bolsas na cidade e achei que ia vender bastante, mas não deu certo”, lembra ela. Mas ela não desistiu. Em 1998, deu outra tacada: decidiu produzir as bolsas que ela mesmo desenhava. Dessa vez, acertou na mosca. Hoje, ela e o marido comandam a Peccato, fabricante de bolsas femininas, instalada na cidade, que produz milhares de peças por ano para várias marcas do Brasil inteiro. E reabriu sua loja, dessa vez para não fechar mais.

A Peccato ocupa um galpão industrial que fica no bairro Iporanga. “Trabalhamos entre 120 e 140 modelos para as coleções do ano, que eu mesma desenho”, revela Andrea. Para chegar ao estágio atual da empresa, Andrea e o marido percorreram um longo caminho. O primeiro cliente foi a academia Nado Livre, da própria cidade. “Desenhei uma bolsa para os alunos da hidroginástica, com um compartimento especial para colocar roupa molhada”, lembra ela, ao lado do marido, que é o diretor financeiro da empresa.

A certeza de que a coisa iria mesmo funcionar veio logo depois daquelas primeiras bolsas para a academia de natação. Com a cara e a coragem, o casal decidiu expor seus produtos na feira Couromoda, em São Paulo, e saíram de lá com um pedido da marca carioca Antonella, para uma bolsa de nylon preta. “Dez dias depois da entrega chegou o primeiro pedido de reposição, isso é, o cliente queria mais porque a bolsa tinha agradado às consumidoras das lojas e estava vendendo bem”, recorda Andrea.

“É um pecado não ter essas bolsas”

O serviço da Peccato é completo para seus clientes brasileiros: faz o design da peça, apresenta a peça-piloto e produz na quantidade desejada, com nome da marca de destino. Já sai da fábrica etiquetada e pronta para ser exposta na vitrine. “Seguimos o estilo da marca do cliente, e levamos em conta os mercados onde elas estão inseridas”, comenta Andrea. “As marcas do Rio são mais despojadas, as de São Paulo seguem um padrão mais social, e assim cada mercado tem suas características”, ensina ela. São bolsas e mochilas feitas em lona e denins e em materiais mais rústicos, como a juta, além de plásticos para a moda praia. “Hoje o mercado exige novos materiais, por isso usamos os alternativos industrializados, de grande qualidade”, justifica a designer.

Nada mal para uma fábrica que começou pequena, na sala da casa de Andrea e Marcelo. Naquele início de muitas dificuldades, um dos maiores desafios era encontrar trabalhadores preparados. E esse, infelizmente, é um problema ainda enfrentado pela empresa. “Em Sete Lagoas não há escola nem treinamento para costureiras e outros profissionais que nossa operação exige, e a saída é formar e treinar dentro de casa”, comenta ela. “Mas não é fácil”, revela ela. Além das questões de mão de obra, produzir é um desafio no Brasil de qualquer forma, ela diz, especialmente em momentos de crise como o atual. “Temos de administrar com muito cuidado, ter cuidado com os custos, até mesmo com clipes.”

O nome da marca Peccato nasceu da paixão de Andrea pela Itália. A palavra significa “pecado” em italiano. A ideia, segundo ela, era simples: seria “um pecado” não ter “uma daquelas bolsas tão lindas”. Era, também, um pecado não ter uma loja própria, com a marca da designer. Por isso, quando a fábrica deslanchou, Andrea reativou sua loja de bolsas em Sete Lagoas, a FILÓ, que mantém até hoje, no térreo do Edifício Liberdade, na rua Senhor dos Passos, no centro da cidade. “Produzo para minha loja e por isso tenho competitividade”, diz.

Nova marca própria no fim do ano

As vendas já foram melhores, no entanto. A crise econômica chegou para todo mundo, até mesmo para o mercado de marcas de preço mais elevado. Ela lembra que a fábrica da Peccato já teve 43 funcionários em seu melhor momento (hoje tem 19, mais prestadores de serviço). Mas para empreendedores como eles, nem mesmo a crise é um momento de desânimo. Ela e Marcelo se preparam para lançar, em dezembro próximo, uma nova marca de sua criação: a MABags, que é a linha de mochilas especiais que serão vendidas on line. “M de Marcelo, A de Andrea e bags, que é a palavra em inglês para mochilas”, explica ela. “E porque a palavra soa como ‘minha mochila’ em inglês”.

O apoio tecnológico para montar esse e-commerce veio do Sebrae, através do Programa Sebraetec, mas o investimento é próprio. “Esse é um plano antigo e as expectativas são boas”, revela Andrea, que não para nunca. Em breve, ela ainda vai ampliar sua loja de marca própria agregando mais produtos. “Ainda acredito que posso despertar um mercado adormecido na cidade”, revela, deixando à mostra, mais uma vez, seu inquebrantável espírito empreendedor.

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